Lá se foi Outubro

Digo logo que escutem bem a letra da música e leia esse texto que eu escrevi, pois os dois se conectam de forma estranha, só pensava nessa música enquanto escrevia.
O patio da escola estava forrado com as folhas da arvores caindo seca com aquele ventinho gostoso que soprava em seu rosto, estavam anunciando a chegado do maravilhoso inverno, sua estação do ano favorita. De longe ela viu os outros na quadra, animados com a bola que ia de um lado para o outro na rede, davam risadas e gritos quando ela favorecia a um dos times.
E lá estava ele, era a mistura do ego com a bondade, misturando com as mechas loiras do seu cabelo, que caia no rosto a cada movimento do corpo. Mas ele não lhe olhava da mesma forma que ela, ele não sentia mais o que antes sentia, era um personagem distante e confuso, não havia meios de se entender todo aquele corpo e mente. Era protagonista da sua própria história.
Já lhe tinha tido a oportunidade, pelo menos era o que pensava quando ligava todos os pontos dessa história. Mas ao mesmo tempo o ódio subia a cabeça e ela não podia aceitar que aquele fim tinha sido culpa dela.
Mas não tinha motivos para culpar todos eles, não tinha como culpar ninguém além dela mesma. Era difícil aceitar essa dor. Ela corroía a sua mente a cada segundo sentada ali, a cada movimento da bola batendo no chão era a lembrança de um momento a sós. De quando o corpo se encontravam e as piadas eram bobas mas mesmo assim lhe tiravam longas risadas.
Ela declarou para si mesma naquele instante que por boa parte a culpa era sua, sua por ter dito mentiras para si mesma, mas não era culpa sua se as pessoas desistiam tão fácil, não era culpa sua se compartilhavam suas dores. Mas o mundo é assim mesmo, todos as mente funcionam uma de forma diferente da outra, e a dele, principalmente, era tão complexa para ela, a dela era sal e a dele era tão açucarado. Ela gostava de comparar as pessoas com quebra cabeça, mas eles era de um conjunto de peças totalmente diferente do dela.
Ela se levantou e foi embora, nesse exato momento bateu o sinal. Era o último dia de outubro e com ele ia esse passado que não havia motivos recordar.